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Araguaia: Conclusão da rodovia Transbananal vai criar corredor alternativo ao porto de Itaqui

Essa obra, com 92 quilômetros de extensão, quando concluída criará um importante corredor para o Vale do Araguaia escoar commodities agrícolas

24/08/2020 | 09:07 - Atualizada em 24/08/2020 | 09:15

Eduardo Gomes com A Boa Midia

Araguaia: Conclusão da rodovia Transbananal vai criar corredor alternativo ao porto de Itaqui

Foto: Reprodução

Mato Grosso vai ganhar importante reforço de presença na área da logística do transporte rodoviário: a pavimentação da TO-500, na Ilha do Bananal, onde recebe o nome de Transbananal.

Essa obra, com 92 quilômetros de extensão, quando concluída criará um importante corredor para o Vale do Araguaia escoar commodities agrícolas ao terminal de embarque da Ferrovia Norte-Sul, em Gurupi (TO) e alcançar o porto de Itaqui.

Uma audiência pública do Senado, na cidade de Gurupi, em 17 de outubro de 2019, sacramentou a decisão política pela obra. A Transbananal é trecho coincidente da TO-500, na Ilha do Bananal, e a transversal BR-242, com 2.312 quilômetros, que liga Maragogipe, na Bahia, a Sorriso, cruzando São Félix do Araguaia.

Essa via, além de contemplar regiões turísticas, também atravessa grandes polos de produção agrícola na Bahia, Tocantins e Mato Grosso.  A pavimentação de 92 quilômetros entre São Félix do Araguaia e Formoso do Araguaia é um projeto consensual entre o presidente Jair Bolsonaro; o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes Freitas; e o governador Mauro Carlesse - DEM (TO), com amplo apoio político no Congresso, nas Assembleias Legislativas dos estados diretamente interessados e nas prefeituras e Câmaras Municipais da área de influência da rodovia.

O governo do democrata Mauro Mendes não investirá um centavo sequer na obra, mas a apoia,  A estimativa é que a obra comece  no próximo ano. O projeto prevê a execução em 36 meses, mas antes que seja aberta a frente de trabalho será preciso concluir a tramitação burocrática junto ao Ibama, Funai e Ministério Público Federal. Inicialmente a construção estava prevista para começar em 2020, mas em razão da pandemia do novo coronavírus foi adiada.

Para Mato Grosso a Transbananal significa uma importante Leste-Oeste ligando São Félix do Araguaia ao eixo da Belém-Brasília. De São Félix do Araguaia a Formoso do Araguaia (18.440 habitantes) o trecho é de 92 quilômetros. De Formoso a Gurupi, à margem da Belém Brasília, a distância é de 70 quilômetros sendo 30 quilômetros pela Belém-Brasília – principal alimentadora rodoviária do porto de Itaqui.

Em Gurupi, commodities agrícolas mato-grossenses poderão ser embarcadas para o Maranhão nos comboios da Ferrovia Norte-Sul, o que se traduzirá no surgimento de mais um modal nacional de transporte rodoferroviário. Segundo o ministro Tarcísio Freitas, a Empresa de Planejamento e Logística (EPL) – ligada ao Ministério da Infraestrutura – realizará a viabilidade econômica do projeto da Transbananal, que leva entre seis e sete meses para finalizar.

Criada em 2012 por lei estadual, a TO-500 será federalizada, mas não se sabe ainda se sua obra será bancada pelo governo federal ou por algum grupo interessado em sua concessão. Mesmo com essa indefinição, técnicos do governo e empresários do setor avaliam que seu custo será superior a R$ 1 bilhão. 

O nome oficial da rodovia é Transbananal Idjarruri Karajá – TO-500.  Quando pavimentada terá classificação de Linha Verde. Seu projeto é do engenheiro José Rubens Mazzaro, líder da Comissão Pró TO-500, cuja construção é regulamentada por rígidos critérios ambientais.

Além da pavimentação e sinalização a Transbananal exigirá  a construção de muretas e de pontes sobre os rios Javaés, San Rocan, Riozinho, Jaburu e Araguaia diante de São Félix do Araguaia. A ponte sobre o Araguaia terá 2.600 metros de extensão, será estaiada e aposentará a balsa que há décadas faz a travessia do rio, que naquele trecho tem largura que varia de 900 e 1.200 metros dependendo do volume d’água ditado pelas chuvas.

A Transbananal é importante dente da engrenagem da BR-242 entre Tocantins e Mato Grosso. Porém, para a consolidação dessa rota será preciso interligar São Félix do Araguaia a Ribeirão Cascalheira, no rumo Sul. Há duas alternativas para tanto: a pavimentação da BR-242 até a BR-158, via Alto Boa Vista, e dessa até a vila de Alô Brasil, no município de Bom Jesus do Araguaia e próximo a Ribeirão Cascalheira, ou investir numa trajeto alternativo  pela MT-433/322 cruzando as áreas urbanas de Serra Nova Dourada e Bom Jesus do Araguaia.

CONEXÃO COM A BR-158 – Em Mato Grosso a BR-158 liga Pontal do Araguaia/Barra do Garças à divisa com o Pará. Ao Norte de Alô Brasil essa rodovia tem um trecho sem pavimentação na Terra Indígena Marãiwatsédé,. Parte desse trecho, com 59 quilômetros, se estende de Alô Brasil ao trevo com a BR-242.

Em nome da política indigenista a Funai e o Ministério Público Federal não aceitam seu asfaltamento e defendem que o curso da rodovia seja desviado para as estradas MT-322 e MT-433, cruzando Bom Jesus do Araguaia e Serra Nova Dourada, prosseguindo até Alto Boa Vista, e dali, até a BR-158 fora da área Xavante. Mantido o trajeto original da BR-158, a distância para completar a ligação de São Félix do Araguaia à malha rodoviária federal pavimentada é de 173 quilômetros.

CONTONO LESTE DA BR 158 – Deslocando o trajeto da BR-158 para evitar a área indígena o percurso aumenta para 186 quilômetros, distância que poderá ser reduzida em razão de eventuais correções em segmentos nas estaduais MT-322/433. No comparativo com a rodovia federal, essa alternativa aumenta o percurso em 13 quilômetros.
 

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