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IFMT lança Programa Pedro Casaldáliga destinado às comunidades tradicionais em vulnerabilidade social

O Programa Pedro Casaldáliga irá ofertar cursos de qualificação profissional para comunidades tradicionais e pessoas que vivem em contexto de vulnerabilidade social

26/08/2021 | 07:16

Redação Olhar Alerta

IFMT lança Programa Pedro Casaldáliga destinado às comunidades tradicionais em vulnerabilidade social

O Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT)

Foto: Reprodução

O Instituto Federal de Mato Grosso lançou no dia 13 deste mês, no município de São Félix do Araguaia, o Programa de Extensão Pedro Casaldáliga, uma homenagem ao “bispo do povo” (como era chamado), que fundou a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e dedicou 52 anos de trabalho ao povo do Vale do Araguaia. Pedro Casaldáliga foi um ícone internacional na defesa dos povos do campo; assentados, indígenas, quilombolas e ribeirinhos.

O programa ofertará cursos de formação inicial continuada (FIC) nas áreas de interesse e necessidade dos povos tradicionais e de grupos que vivem em contexto de vulnerabilidade social – quilombolas, acampados e assentados rurais, indígenas, ribeirinhos, catadores de materiais recicláveis e migrantes e refugiados no estado de Mato Grosso. Diante da realidade atual dos povos pretendidos pelo programa, o IFMT objetiva promover a organização produtiva nas comunidades tradicionais e contribuir para a autonomia econômica e financeira dessas comunidades e pessoas por meio da qualificação profissional, incluindo estes povos e comunidades nas ações de ensino, pesquisa e extensão do IFMT. Os cursos terão carga horária mínima de 8 horas e máxima de 350 horas, podendo ter duração de até 6 meses. A iniciativa irá qualificar a mão de obra e levar a transferência de novas tecnologias e modelos de produção, no intuito de melhorar e promover a subsistência e, assim, gerar renda, mantendo assim o homem do campo no campo ou em seu local de origem.

O edital com os cursos e as vagas, a serem ofertados pelo programa, será lançado em outubro na região do Araguaia, e, posteriormente, o programa será desenvolvido em todo o estado de Mato Grosso.

O reitor do IFMT, Julio César dos Santos, e comitiva da reitoria participaram, na noite da quinta-feira (12/8), da missa de um ano de sepultamento de Dom Pedro no município de São Félix do Araguaia. Durante o dia 13/8 (sexta-feira), foram realizados encontros com representantes indígenas e quilombolas, prefeitos e representantes de 6 municípios da região.

O reitor do IFMT, Julio César dos Santos, durante a cerimônia de lançamento do programa, pontuou: “Dom Pedro Casaldáliga será realmente homenageado, quando começarmos a perceber a transformação que o programa trará na vida das pessoas e quando este programa estiver capacitando os nossos filhos, irmãos, pais e amigos, dando a essas pessoas condições de construir uma vida mais digna, e trazendo conscientização de quanto é importante lutar e resistir no cenário de tantas dificuldades que estamos vivendo em nosso país. É com orgulho que apresentamos o Programa Pedro de Casaldáliga. É com alegria que observamos que o IFMT é tão bem recebido pela comunidade e parceiros deste programa, que não é somente nosso, mas sim de todos. Temos muito a agradecer a todos que contribuíram e estão conosco nessa missão. Tenham certeza de que trabalharemos com afinco para corresponder à confiança depositada em nossa instituição”, enfatizou o reitor.

O bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia, Dom Adriano Ciocca Vasino, reconheceu a importância da iniciativa. “Vocês têm que trabalhar e juntar as poucas forças que temos para que esse projeto possa se realizar. De nossa parte, como prelazia, dentro das nossas pequenas condições, podem contar com todo apoio e, também, se for necessário, uma presença efetiva para que nós não fujamos daquilo que é o objetivo, que é de dar autonomia, reforçar e manter  a identidade histórica de cada grupo social neste território. Cumprimento e parabenizo o Instituto Federal por causa dessa abordagem, nos tempos que estamos vivendo, para realizar um projeto como esse”, afirmou o bispo Dom Adriano Ciocca Vasino.

A professora do Campus Confresa e coordenadora do Projeto Pedro de Casaldáliga, Gislane Moreira Maia, realizou diversas reuniões e visitas técnicas com gestores públicos dos municípios do entorno, comunidades indígenas e quilombolas e associações para firmar parcerias e colher dados para a elaboração do projeto. “É um desafio, sabemos que não será fácil, mas precisamos e vamos garantir a qualidade e o nome da rede IFMT. O objetivo maior será transformar a realidade desses povos. Já fechamos diversas parcerias com os municípios, que irão dar a contrapartida para a realização do projeto”, destacou a coordenadora.

A prefeita de São Félix Araguaia, Janailza Taveira Leite, destacou a relevância do programa para o município. “Como município ficamos felizes e honrados em receber o IFMT; para nós, é uma oportunidade de agregarmos valores e partilharmos conhecimento, nossa história e dados da nossa realidade, através do legado do Bispo Pedro que muito ajudou nossa região em vida e, através do programa, continuará propagando, pela força do seu nome, essas oportunidades para aqueles que mais precisam. Estamos felizes em recebê-los e dispostos a fazer o possível para sermos parceiros e não deixar que as pessoas percam suas expectativas de uma vida melhor”, concluiu a prefeita.

Estiveram presentes no evento de lançamento do programa, o prefeito de Serra Nova Dourada, Elson Farias de Sousa, o vereador de Luciara, João Kanela, o chefe de gabinete de Santa Terezinha, Israel Martins dos Santos, o secretário de agricultura e a assessora pedagógica de Novo Santo Antonio, Raimundo Silva e Sonia Paz da Silva, a coordenadora do Cras de Porto Alegre do Norte, Maria Aparecida dos Santos, o secretário de Agricultura Porto Alegre do Norte, Pedro Lima Neto, a secretária de desenvolvimento e assistência social de Porto Alegre do Norte, Valdirene Nascimento, o secretário de Agricultura de Alto Boa Vista, Nayan, o cacique da Aldeia Teribe (Luciara), Cláudio Werekina Karajá, o cacique da Aldeia Kuriala (Luciara), Samuel Yriwerana Karaja, o cacique da Aldeia Krehawa (Luciara), Rafael Hararika Koxiwari Karaja, o bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia, Dom Adriano Ciocca Vasino, o representante do senador Welligton Fagundes, José Márcio Guedes, e a prefeita do município de São Félix, Janailza Taveira Leite.

Comunidades Tradicionais

De acordo com dados obtidos através da Fundação Cultural Palmares/2017, Mato Grosso possui mais de 70 comunidades remanescentes de quilombola (CRQS) em vários municípios do estado.

Segundo dados do INCRA de 2021, existem 375 projetos de assentamentos espalhados por todas as regiões, abrangendo 103 municípios do total de 143, que beneficiam um total de 64.219 famílias, o que corresponde a uma média de 1,8% da população total do estado de Mato Grosso.

O IFMT, em 2014, ofertou um curso técnico subsequente ao ensino médio ao povo Apyawa, e a construção da metodologia do Programa Pedro de Casaldáliga terá por base os resultados positivos deste trabalho. Em 2021, foi feito levantamento de demandas junto a comunidades indígenas, dialogando e conhecendo a realidade de cada uma, para, assim, construir uma metodologia que respeite a cultura e promova a inclusão.

O estado de Mato Grosso possui, atualmente, 34 organizações de catadores  mapeadas,  de acordo com o anuário da reciclagem da Associação Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis – ANCA.

Dados apontam um grande número de migrantes e refugiados em estado de sociovulnerabilidade étnica e racial em Mato Grosso. Oriundos dos países da América do Sul, Central e África, deslocam-se para várias cidades do estado em busca de sobrevivência e acolhimento. Em busca da sobrevivência, encontram inúmeras dificuldades e obstáculos, sendo um dos principais o idioma, que dificulta o ingresso no mercado de trabalho de modo regulamentado e, consequentemente,  gera desamparo quanto às legislações trabalhistas.

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