Em Mato Grosso, o tempo seco e a ocorrência de queimadas são dois fatores que interferem na qualidade do ar, com reflexos diretos e indiretos na saúde, consequentemente, na oferta dos serviços públicos de saúde.
Para enfrentar esse desafio, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) monitora os efeitos da poluição, visando a implementação de estratégias para proteger a saúde dos mato-grossenses.
Esse monitoramento é feito por meio do programa de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Poluentes Atmosféricos (Vigiar-MT), que teve o primeiro boletim divulgado na terça-feira (22).
De acordo com o Vigiar-MT, 31 (21,83%) dos 142 municípios concentram os maiores números de focos de calor, de janeiro a junho deste ano.
Juntas, essas 31 cidades somaram 5.715 ocorrências, o correspondente a 64,96% dos focos de calor (8.798) registrados no território mato-grossense no mesmo período.
“Diante deste fato, ressaltamos a importância de intensificação de ações educativas e de prevenção para a redução das queimadas, principalmente, nestes municípios”, recomenda o órgão estadual aos Escritórios Regionais de Saúde e Secretarias Municipais de Saúde.
Conforme o monitoramento, os 10 municípios com maior número de queimadas e considerados críticos são Nova Maringá (191); Paranatinga (189); Marcelândia (178); Gaúcha do Norte (168); São Felix do Araguaia (139); Brasnorte (136); Juara (126); Querência (108); Tangará da Serra (108) e Feliz Natal (102).
Outros 12 apresentam classificação alta devido à ocorrência de focos de calor, sendo eles, Água Boa; Aripuanã; Guiratinga; Itiquira; Nova Canãa do Norte; Nova Monte Verde; Novo Santo Antônio; Ribeirão Cascalheira; Santa Cruz do Xingu; São José do Rio Claro; Tabaporã e Vila Rica. Os demais estão níveis considerados como baixo e mínimo.
No alerta, o órgão estadual de Saúde frisa ainda que o aumento dos focos de calor no Estado está associado ao período de estiagem, com aumentos expressivos nos meses de agosto e setembro.
Reforça também que a criticidade desse período climático, com baixa umidade relativa do ar (URA) e altas temperaturas, aumenta a probabilidade de ocorrência de incêndios florestais, cujas emissões contribui para o aumento da poluição atmosférica e interferem na saúde e bem-estar da população.
A qualidade do ar, além de ser uma preocupação ambiental, reflete diretamente nos números do Sistema Único de Saúde (SUS), que tende a registrar aumento de consultas e internações, devido a doenças respiratórias e cardiovasculares.
As crianças, os idosos e as pessoas com comorbidades estão entre os mais vulneráveis.
Diante dos riscos, a prevenção e o combate aos focos de calor são imprescindíveis. “Orientamos ainda que ao apresentar algum sintoma respiratório, procurar a unidade de saúde mais próxima para avaliação médica”, recomenda.
Além de evitar queimadas, entre as medidas de proteção ambiental e pessoal recomendadas estão evitar exercícios físicos e exposição ao ar livre entre 10 e 16 horas; umidificar o ambiente usando, por exemplo, vaporizadores, toalhas molhadas e recipientes com água; permanecer em locais protegidos do sol ou em áreas arborizadas; usar protetor solar, acessórios de proteção como chapéus, boné ou guarda sol, e evitar aglomerações em ambientes fechados.