07/01/2026 | 07:40
G1
No entanto, é preciso cuidado para não levar recrutadores ou algoritmos ao engano. Nos últimos anos, cresceu no mercado de Recursos Humanos o uso de IA nos processos seletivos, tanto por candidatos quanto por empresas.
Hoje, a maioria das plataformas de recrutamento utilizam sistemas que comparam o currículo com a descrição da vaga para ranquear e encontrar, de forma automática, candidatos que se encaixem nas oportunidades divulgadas.
A Gupy, por exemplo, usa IA para cruzar requisitos como formação, experiência, habilidades, idiomas, competências técnicas, localização e aderência à vaga. Na prática, antes de o gestor analisar o currículo, o candidato passa por uma triagem automatizada.
Segundo Jhenyffer Coutinho, sócia e líder em Experiência das Pessoas Candidatas da Gupy, a melhor forma de ir bem nesse processo é preencher completamente todas as informações solicitadas.
“O erro mais comum é não colocar as informações básicas. Isso derruba muito o ranqueamento”, afirma a especialista da Gupy.
Dados da plataforma mostram que 35% dos currículos enviados não têm nenhuma habilidade cadastrada. Além disso, 64% trazem descrições de experiência com menos de 200 caracteres, o que também prejudica o desempenho nos sistemas de IA.
“Em uma plataforma em que não há limites para descrever sua jornada, quanto mais detalhes você coloca, mais elementos a tecnologia tem para encontrar no seu perfil”, explica Coutinho.
“Há muito mais chances de um texto de 1.500 caracteres trazer informações relevantes do que um de 500. A tecnologia não está contando caracteres, é apenas uma recomendação nossa”, conclui.
Isso significa que o currículo precisa ser estratégico, além de completo e objetivo, por isso usar a Inteligência Artificial pode ajudar a organizar melhor as informações e adequar para um melhor resultado nessa triagem.
Mas quem faz o currículo continua sendo a pessoa candidata. O currículo precisa refletir a sua história. A tecnologia é uma aliada, mas não substitui a autenticidade. — Jhenyffer Coutinho, sócia e líder em Experiência das Pessoas Candidatas da Gupy.
Tentar 'driblar robôs' tem riscos 🤖
Alguns candidatos têm tentado driblar os sistemas de seleção que utilizam Inteligência Artificial por meio do uso de palavras-chave invisíveis. Ou seja, inserem textos ocultos dentro do currículo com o objetivo de “fisgar” os algoritmos.
Segundo Juliana Maria, especialista em recrutamento e seleção, tentar burlar o sistema — como inserir iscas para enganar filtros — pode até gerar um avanço inicial, mas costuma resultar em desclassificação e prejuízo à reputação do candidato.
“Esses ‘truques’ para enganar a IA até podem fazer o candidato avançar na triagem inicial, mas não se sustentam. Quando a informação não é verdadeira, a inconsistência aparece na entrevista e pode levar à desclassificação e até ao bloqueio em processos futuros”, explica Juliana Maria.
Para a especialista, usar a IA de forma ética para organizar e enriquecer o currículo é válido, desde que as informações sejam verdadeiras, já que, no fim, o candidato precisará comprovar conhecimento e competências reais na prática. “O candidato deve revisar tudo. O uso de IA não dispensa o senso crítico”, afirma.
Joaquim Santini, pesquisador e palestrante sobre a vida organizacional, é ainda mais direto: “Se o candidato tenta enganar o sistema, ele deve ser desqualificado imediatamente. Esse comportamento coloca em risco a credibilidade dele e pode afetar futuras oportunidades.”
Segundo ele, mesmo que o candidato avance na triagem automatizada e nas entrevistas, a inconsistência aparece logo após a contratação. “Não dá para sustentar uma mentira por muito tempo. Em três ou seis meses, ele será desligado”, diz.
Falta preparo das empresas ✍🏽
Para Santini, o problema não está apenas nos candidatos, mas também na falta de preparo de muitas empresas e líderes. Parte dos recrutadores ainda não tem conhecimento suficiente sobre IA para conduzir entrevistas capazes de identificar inconsistências entre o currículo e a experiência real.
Ele defende que processos seletivos robustos precisam ir além da triagem automatizada, e investir em entrevistas técnicas e comportamentais bem estruturadas, conduzidas por gestores capacitados.
Existe um desequilíbrio claro entre o candidato que conhece minimamente a IA e recrutadores que não têm esse letramento básico. Sem entender como a IA funciona, o risco de erro na contratação aumenta. — Joaquim Santini, pesquisador e palestrante sobre a vida organizacional.
O futuro do recrutamento, afirma o especialista, passa pela união entre tecnologia, ética, verificação rigorosa e aprendizado contínuo, tanto de candidatos quanto das empresas.
Como fazer um bom currículo usando IA 📝
Para Marcos Santos, especialista em Inteligência Artificial e análise preditiva de sistemas, as plataformas mais populares e acessíveis para criar um bom currículo são ChatGPT, Gemini e NotebookLM.
A principal recomendação é que o candidato carregue o currículo real e a descrição da vaga, pedindo apenas ajustes e melhorias — sempre revisando cuidadosamente o resultado para evitar “alucinações” da IA, como a inclusão de habilidades ou idiomas que a pessoa não domina.
“O currículo não é da IA. É da pessoa. A IA ajuda a tornar a história mais clara e direta”, afirma Santos.
Segundo ele, todas as tecnologias podem ajudar, desde que o candidato siga algumas diretrizes:
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