Segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
informe o texto

Notícias | Política

Câmara de Canabrava do Norte contraria TCE e reprova contas do ex-prefeito João Cleiton

Por 6 votos a 3, vereadores apontam falhas graves, reincidência e má gestão no exercício de 2024

13/01/2026 | 09:06 - Atualizada em 13/01/2026 | 09:13

Redação Olhar Alerta

Câmara de Canabrava do Norte contraria TCE e reprova contas do ex-prefeito João Cleiton

A sessão ocorreu na noite de segunda-feira (12) na Câmara Municipal de Vereadores de Canabrava do Norte

Foto: Reprodução

A Câmara Municipal de Canabrava do Norte reprovou, por 6 votos a 3, as contas de governo referentes ao exercício de 2024 do ex-prefeito João Cleiton Araújo de Medeiros (PSDB). A votação ocorreu na sessão da noite de segunda-feira (12) e contrariou o parecer prévio favorável do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT).

Em entrevista ao site Olhar Alerta, o presidente da Câmara, Thiago de Freitas (UB), afirmou que a decisão foi baseada em falhas graves de gestão, muitas delas reincidentes ao longo dos oito anos de mandato do ex-prefeito.

“O ex-gestor fez inúmeras irregularidades, várias delas reincidentes. Fez obras eleitoreiras no município, arrebentou a cidade toda para fazer rede de esgoto e asfalto na época da chuva. Isso deu um transtorno muito grande. Tivemos que refazer praticamente todo o asfalto em cima da hora”, afirmou.

Segundo Thiago, a forma como as obras foram executadas gerou prejuízos diretos ao município.

“Era só para fazer remendo e depois abrir de novo. Como foi aberto na época da chuva, deteriorou tudo. Hoje a prefeitura tem que refazer quase tudo de novo. Foi irresponsabilidade”, disse.

O presidente da Câmara também afirmou que o município foi deixado sem estrutura administrativa básica ao fim da gestão.

“Quando uma gestão sai, ela tem 90 dias para deixar a casa em ordem para o outro gestor pegar. Ele deixou o município sem licitação, principalmente na saúde, sem saldo para comprar medicamentos. A gente ficou se arrastando de janeiro para frente para conseguir fazer licitação”, relatou.

Thiago ainda afirmou que veículos públicos foram deixados em más condições e que houve problemas até no abastecimento de insumos essenciais.

“Veículos públicos, ambulâncias, tudo sucateado. O material para tratamento da água estava vencido. Tivemos que pegar 20 sacos emprestados para conseguir tratar a água do município enquanto fazíamos licitação”, declarou.

Outro ponto citado pelos vereadores foi a contratação de um financiamento de aproximadamente R$ 11 milhões, realizado poucos meses antes do término do mandato.

“Ele fez esse financiamento cerca de seis meses antes de sair e não pagou uma parcela sequer, só os juros. Quem entrou teve que começar pagando, comprometendo mais de R$ 300 mil por mês. Isso foi uma forma de endividar o município”, afirmou Thiago.

Ainda segundo o presidente da Câmara, três dias após perder a eleição, o ex-prefeito teria autorizado o pagamento de R$ 1 milhão a uma empresa sem autorização prévia da Câmara, o que, segundo ele, pode configurar crime de responsabilidade.

Motivos técnicos da reprovação

Além das críticas administrativas, a Câmara apontou razões técnicas para a reprovação, como o descumprimento dos limites do FUNDEB, o não cumprimento da meta de Resultado Primário, que terminou com déficit superior a R$ 10,5 milhões, a falta de dinheiro em caixa para pagar Restos a Pagar com recursos livres, além da abertura de créditos sem lastro financeiro, déficits em fontes vinculadas e falhas contábeis e de transparência.

Para os vereadores, mesmo com parecer favorável do TCE, as irregularidades são suficientes para reprovação.

“O Tribunal de Contas dá um parecer técnico, que é opinativo. Nós, como vereadores e fiscais do município, temos a obrigação de apontar o que foi feito de errado aqui dentro. Cabe ao Ministério Público analisar se essas falhas geram punições maiores ou não”, afirmou Thiago.

Defesa do ex-prefeito

O ex-prefeito João Cleiton afirmou que a reprovação teve motivação política e que recebeu a decisão com tranquilidade.

“O placar foi seis a três, já esperado. O principal motivo foi a aplicação de recursos do FUNDEB fora do primeiro quadrimestre. Eu deixei superávit de 2023 para 2024, utilizei parte e o restante, cerca de R$ 62 mil, foi aplicado em julho. A lei exige aplicação até o primeiro quadrimestre, e eles consideraram isso como irregularidade gravíssima”, afirmou.

Segundo João Cleiton, a votação não teria seguido critérios técnicos.

“A mesma comissão que deu parecer contrário às minhas contas aprovou um projeto abrindo mais de R$ 1,1 milhão em dezembro. Então é uma votação técnica, mas plenamente política. O objetivo final é tentar me deixar inelegível”, declarou.

Em nota, o ex-prefeito reforçou que não há imputação de débito ou dano ao erário.

“Recebi com serenidade a decisão da Câmara Municipal, que por maioria política rejeitou contas aprovadas por unanimidade pelo Tribunal de Contas e pelo Ministério Público de Contas. Não há ato de improbidade nem prejuízo ao erário. Essa decisão não gera inelegibilidade”, afirmou.

Parecer do TCE-MT

O Tribunal de Contas do Estado emitiu parecer prévio favorável às contas de Canabrava do Norte referentes a 2024, destacando o cumprimento dos limites constitucionais, superávit financeiro e orçamentário, além da capacidade de pagamento das dívidas de curto prazo. O relator, conselheiro Valter Albano, entendeu que as irregularidades apontadas foram atenuadas e não suficientes para reprovação técnica.

Apesar disso, a Câmara Municipal manteve o entendimento de que as falhas administrativas, fiscais e estruturais justificaram a rejeição das contas.

0 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do site. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

 
Sitevip Internet