Segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
informe o texto

Notícias | Mato Grosso

CNJ manda TJMT explicar suposto “desvio de função” em sistema interno

Ação é do Sinjusmat, que aponta que estagiários e servidores operam sistema com o perfil

19/01/2026 | 06:59

Mídia News

CNJ manda TJMT explicar suposto “desvio de função” em sistema interno

O conselheiro do CNJ, Ulisses Rabaneda, será o relator dos procedimentos

Foto: Reprodução

O Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat) ingressou com dois Procedimentos de Controle Administrativo (PCA) no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). 

A entidade aponta o que classifica como uma "prática institucionalizada" de desvio de função, pelo uso indevido do perfil de "Gestor Judiciário" no sistema Processo Judicial Eletrônico (PJe) para servidores de outros cargos e até estagiários. 

O conselheiro Ulisses Rabaneda, relator dos dois procedimentos, decidiu postergar a análise dos pedidos de liminar para após a manifestação do Tribunal. Ele determinou que o TJMT preste informações detalhadas sobre os fatos narrados em um prazo de 10 dias. 

Nos pedidos, o sindicato sustenta que auxiliares, técnicos e analistas judiciários estariam exercendo rotinas e responsabilidades exclusivas de gestores. Ainda segundo o Sinjusmat, estagiários possuem "acesso amplo e irrestrito" aos autos, com capacidade de confeccionar e validar documentos oficiais sob o perfil de gestor, o que comprometeria a segurança jurídica e a rastreabilidade dos atos processuais. 

"Afirma tratar-se de prática reiterada e institucionalizada utilizada como mecanismo de suprimento estrutural de déficit de pessoal", diz trecho de um dos despachos. "Intime-se o Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso para que, no prazo de 10 (dez) dias, preste informações acerca dos fatos narrados na petição inicial, ficando postergada a análise do pedido de medida liminar até o recebimento das referidas informações", determinou o conselheiro relator Ulisses Rabaneda. 

Para o Sinjusmat, a situação fragiliza os controles internos do sistema oficial de tramitação. O sindicato defende que a prática fere a Lei Estadual nº 8.814/2008, que organiza as carreiras do Judiciário, e requer que o TJMT realize um recadastramento geral de perfis, assegurando que cada servidor e estagiário retorne à sua função originária. 

O sindicato sugere, inclusive, a utilização de dados do Projeto OMNI — ferramenta de monitoramento do Tribunal — como instrumento de auditoria para identificar quem está operando o sistema fora de suas atribuições.  

O Tribunal deverá esclarecer os critérios de concessão de permissões no PJe e responder às acusações sobre a utilização de estagiários em etapas críticas do fluxo processual. 

Após o recebimento das informações, o CNJ avaliará a necessidade de intervenção emergencial nas unidades judiciárias do Estado.

0 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do site. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

 
Sitevip Internet