Uma ocorrência envolvendo a Polícia Militar e a equipe de saúde do Hospital Municipal de Vila Rica foi registrada na madrugada de domingo (8), durante o atendimento a um homem de 42 anos que apresentava comportamento agressivo dentro de uma residência.
Conforme apurou o site Olhar Alerta, a Polícia Militar registrou em boletim de ocorrência que foi acionada após uma mulher relatar que o esposo estaria em surto psicótico, bastante nervoso e alterado. Segundo a comunicante, familiares precisaram amarrar o homem pelos braços e pernas para evitar que ele quebrasse objetos dentro da residência ou colocasse outras pessoas em risco.
Ainda conforme a PM, uma ambulância do Hospital Municipal chegou a ser acionada para prestar atendimento, porém a equipe de saúde teria informado que não realizaria a remoção sem a presença da Polícia Militar, deixando o local sem prestar socorro.
Com a chegada da guarnição, o homem foi encontrado amarrado e deitado ao chão. A PM entrou novamente em contato com o hospital solicitando o retorno da ambulância, mas recebeu a informação de que a equipe não se deslocaria novamente, sendo orientado que a vítima fosse levada até a unidade de saúde.
Diante da recusa, os familiares conduziram o homem até o hospital em veículo próprio, com acompanhamento da Polícia Militar. Ao chegar à unidade, os policiais constataram que a ambulância permanecia estacionada no pátio do hospital.
Segundo a PM, após receber medicação, o homem foi liberado, e todo o ocorrido foi registrado em boletim de ocorrência para as providências cabíveis.
Secretaria Municipal de Saúde rebate
Em nota e relato encaminhados à reportagem, o secretário municipal de Saúde, Ander Paulo Batista, contestou a versão policial. Segundo ele, o paciente não se encontrava em surto psicótico, mas sim embriagado, com indícios de violência doméstica, situação que, conforme a Secretaria, é de responsabilidade das forças de segurança pública, e não da equipe de saúde.
De acordo com o relato do condutor da ambulância do Hospital Municipal, a equipe foi acionada e se deslocou até o endereço informado. No local, o homem estava alcoolizado, agressivo, amarrado pelos próprios familiares e xingando as pessoas ao redor. A técnica de enfermagem realizou avaliação inicial e concluiu que não havia critérios clínicos que justificassem remoção hospitalar naquele momento, orientando a família a acionar a Polícia Militar pelo 190.
Após o retorno da ambulância ao hospital, houve novo contato telefônico por parte de familiares solicitando atendimento. A chamada foi atendida por uma enfermeira de plantão, que manteve a orientação anterior, informando que não se tratava de demanda de saúde.
Posteriormente, o homem foi levado ao Pronto-Socorro por um familiar, e não pela ambulância. Já no hospital, ele continuava bastante agitado, sendo necessária a contenção física por parte da Polícia Militar, inclusive com uso de algemas.
Ainda segundo o relato, durante a ocorrência no hospital, policiais solicitaram documentos pessoais da equipe de saúde, abordagem que foi considerada intimidatória pelos profissionais, que afirmam estar à disposição para identificação funcional e esclarecimentos por vias formais.
A Secretaria de Saúde informou também que há registros audiovisuais do paciente algemado e agressivo dentro da unidade hospitalar, os quais estão sob guarda e poderão ser apresentados às autoridades competentes, caso sejam solicitados.
O caso segue registrado em boletim de ocorrência e deve ser apurado para o esclarecimento dos fatos e eventuais responsabilidades.