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Corregedoria do TJMT investiga erro humano que colocou assassino da própria irmã em liberdade

Desembargador José Luiz Leite Lindote apura falha na checagem de "CPF criminal" que ignorou condenação de 19 anos de Marcos Pereira Soares

13/03/2026 | 07:26

Repórter MT

Corregedoria do TJMT investiga erro humano que colocou assassino da própria irmã em liberdade

Delegada Jéssica Cristina de Assis, da DHPP, classificou Marcos Pereira Soares como um "criminoso sexual em série"

Foto: Reprodução

A Corregedoria-Geral do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) abriu, hoje (12), um procedimento administrativo para investigar as circunstâncias que levaram à soltura indevida de Marcos Pereira Soares. O beneficiado pelo erro é o principal suspeito de estuprar e assassinar a própria irmã, de 17 anos, no bairro Três Barras, em Cuiabá, apenas quatro dias após deixar a prisão.

De acordo com o corregedor-geral, desembargador José Luiz Leite Lindote, a análise inicial descarta problemas técnicos no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A principal linha de investigação aponta para uma falha humana no momento da consulta ao Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP).

O detento possuía dois Registros Judiciais Individuais (RJI), uma espécie de "identidade criminal", e o servidor responsável teria consultado apenas um deles, ignorando a existência de uma condenação ativa de 19 anos por homicídio.

Entenda o caso

Marcos havia sido preso preventivamente por violência doméstica em dezembro de 2025, mas obteve a revogação dessa prisão no último sábado (7).

No momento de soltá-lo, o sistema deveria ter acusado que ele ainda precisava cumprir pena pela morte de Severino Messias Santos, ocorrida em 2020. Como os registros não estavam unificados, a segunda condenação "passou batida", permitindo que ele saísse pela porta da frente da unidade prisional.

A falha só foi notada na quarta-feira (11) pelo juiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto, da 2ª Vara Criminal de Cuiabá, que imediatamente o declarou foragido e solicitou ao CNJ a unificação das fichas.

Marcos foi preso em flagrante após o corpo da irmã ser encontrado em um córrego, com sinais de tortura e pés amarrados. O suspeito já acumula antecedentes por roubo, tráfico e estupro de vulnerável.

Veja a nota do TJMT na íntegra:

A Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso instaurou procedimento para apurar as circunstâncias relacionadas à soltura de um homem acusado de ter matado a própria irmã, na noite de quarta-feira (11), em Cuiabá.

Em análise preliminar, foi identificada possível falha humana na verificação de dados do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), relacionada à existência de dois Registros Judiciais Individuais (RJI) vinculados ao nome da mesma pessoa.

Não há, até o momento, indícios de falha no funcionamento do sistema. A apuração busca esclarecer os fatos e verificar as circunstâncias do ocorrido.

A Corregedoria acompanhará o caso e adotará as medidas administrativas cabíveis para o esclarecimento dos fatos, observados o devido processo legal.

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