A defesa da ex-secretária de Cultura de Confresa, Evirlene Sipaúba Costa, informou que o inquérito policial que apurava suposta fala de cunho homofóbico foi concluído sem o enquadramento do crime.
Conforme apurou o site Olhar Alerta, degundo a defesa, o inquérito policial foi encerrado no dia 17 de março pela Polícia Civil, e concluiu que a conduta “não configurou o crime de injúria homofóbica”. Ainda conforme a nota, a autoridade policial entendeu que não houve “xingamento de cunho discriminatório”, mas sim uma manifestação interpretada como crítica à escolha do palestrante.
Em nota enviada à reportagem após a conclusão do inquérito, Evirlene afirmou: “Esse período foi muito difícil pra mim, mas sempre confiei que a verdade seria esclarecida. A conclusão do inquérito mostra que não houve crime”.
Por outro lado, a defesa do vereador e policial civil Marcelo Silva de Souza contestou a interpretação. Em nota, afirmou que o inquérito “tramita em segredo de justiça” e que “não possui qualquer decisão judicial que inocenta ou exime a acusada”, classificando como “prematuro” afirmar inocência neste momento.
A Polícia Civil não se manifestou oficialmente sobre o teor conclusivo do inquérito até o momento.
O caso
O caso ganhou notoriedade após a circulação de um áudio atribuído à então secretária, com conteúdo relacionado à participação de Marcelo enquanto palestrante em um evento voltado ao público feminino.
Após a repercussão, o material foi levado à Câmara Municipal, onde o vereador Marcelo Silva de Souza denunciou o caso e cobrou providências.
Diante da situação, a Prefeitura de Confresa anunciou a exoneração imediata de Evirlene Sipaúba e informou a adoção de medidas administrativas e legais, além de manifestar repúdio a declarações consideradas discriminatórias.
O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil após registro de ocorrência por suposta prática de homofobia e segue sem decisão judicial.
Veja as notas na íntegra
Defesa de Evirlene Sipaúba Costa
“À Imprensa e ao Público em Geral
A defesa da Sra. Evirlene Sipauba Costa vem a público para esclarecer a conclusão do Inquérito Policial n° 151.4.2026.8457, encerrado em 17 de março de 2026 pela Delegacia de Polícia de Confresa/MT.
Após análise técnica rigorosa de toda a prova — incluindo a transcrição integral do áudio — o Delegado de Polícia concluiu, de forma expressa e fundamentada, que a conduta da Sra. Evirlene não configurou o crime de injúria homofóbica.
A autoridade policial reconheceu que, no áudio, não houve "xingamento" de cunho discriminatório. A manifestação foi interpretada como uma crítica à escolha do palestrante para um evento feminino — não como depreciação da orientação sexual do palestrante.
Antes mesmo de qualquer conclusão, a Sra. Evirlene teve sua imagem arruinada nas redes sociais, foi exonerada do cargo de Secretária Municipal de Cultura e sofreu graves danos emocionais e financeiros. Seus direitos foram cerceados enquanto a investigação ainda corria.
Nenhuma moção de repúdio, nenhuma pressão pública e nenhum tribunal das redes sociais pode substituir o devido processo legal. O que aconteceu com a Sra. Evirlene é um exemplo doloroso do custo humano do julgamento precipitado.
Reitera-se que a Sra. Evirlene é uma mulher de bem, que expressou um ponto de vista, sem qualquer intenção discriminatória, especialmente reconhecida pela lei.
Continuaremos acompanhando todos os desdobramentos junto ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, com a confiança no Estado Democrático de Direito.
NAYRA LAISSA ZORZI
OAB/MT n° 30.677-0”
Defesa de Marcelo Silva de Souza
“A defesa técnica de MARCELO SILVA DE SOUZA, indignada com a forma antiética da acusada EVIRLENENE SIPAÚBA, através da nota exalada por sua defesa em 18/03/2026, esclarece que o referido inquérito tramita em segredo de justiça, e ainda não possui qualquer decisão judicial que inocenta ou exime a acusada, portanto, é prematuro a defesa da mesma afirmar que a mesma fora inocentada ou responderá por crime diverso do crime de homofobia.
Dizer isso é dar carta branca aos que se escondem nas sombras da internet. A autora, além de responder na esfera criminal, responderá na esfera cível.
Dr. Reinaldo Leite de Oliveira – OAB/MT 12.971.”
Mensagem enviada à reportagem por Evirlene Sipaúba
“Esse período foi muito difícil pra mim, mas sempre confiei, que apesar da minha falha, a verdade seria esclarecida. A conclusão do inquérito mostra que não houve crime. Agora, quero focar em seguir em frente com tranquilidade e respeito.”