Quarta-feira, 15 de abril de 2026
informe o texto

Notícias | Variedades

Adeus, sabão? Spray cria efeito 'antissujeira' que permite limpar roupas só com água

Estudo publicado na revista Communications Chemistry, do grupo Nature, mostrou que um revestimento aplicado em roupas impediu que sujeiras como óleo, molhos e gordura se fixassem em tecidos

20/03/2026 | 07:02

G1

Adeus, sabão? Spray cria efeito 'antissujeira' que permite limpar roupas só com água

Demonstração mostra a aplicação do revestimento que cria roupas com efeito “antissujeira” e facilita a limpeza apenas com água

Foto: Reprodução

Lavar roupa é uma tarefa simples do dia a dia, mas com um impacto ambiental que muitas vezes passa despercebido. Agora, uma nova tecnologia pode mudar isso.

Na China, pesquisadores desenvolveram um spray capaz de criar uma espécie de “efeito antissujeira” em tecidos, permitindo que roupas sejam limpas apenas com água — sem necessidade de sabão.

O estudo, publicado na revista "Communications Chemistry", do grupo Nature, mostra que o revestimento funciona como uma camada invisível sobre o tecido (entenda mais ABAIXO).

👗Assim, em vez de remover a sujeira depois que ela gruda, a tecnologia evita que ela se fixe.

O segredo está no fato de que, depois da aplicação, essa camada passa a atrair e reter uma película estável de moléculas de água, formando uma espécie de barreira física entre o tecido e a sujeira.

Com isso, manchas de óleo, molho e outras substâncias não conseguem aderir às fibras — e escorregam com um simples enxágue.

Nos testes, manchas de óleo de motor, azeite de pimenta, molho de soja, vinagre e ketchup foram removidas com uma única enxaguada em tecidos de algodão, seda e poliéster, sem detergente e sem ciclo de lavagem.

Em um dos experimentos, metade de uma camiseta branca foi tratada com o spray e manchada com óleo tingido de vermelho.

A parte tratada ficou completamente limpa após passar pela máquina de lavar só com água. A parte sem tratamento manteve a mancha visível mesmo depois de lavada com detergente (veja na IMAGEM abaixo).

Teste em camiseta branca mostra o efeito do revestimento: lado tratado (à direita) fica limpo após enxágue só com água, enquanto o lado sem tratamento mantém a mancha mesmo após lavagem com detergente. — Foto: Chongling Cheng e Dayang Wang

Ainda segundo os cientistas, o desempenho antibacteriano e antifúngico também superou o método tradicional.

Enquanto os detergentes convencionais combatem apenas bactérias, o revestimento também repele fungos — responsáveis por odores e manchas de mofo em roupas e roupas de cama.

Os pesquisadores dizem que o método reduz em cerca de 82% o consumo de água, energia elétrica e tempo em comparação com o processo convencional, que normalmente inclui um ciclo de lavagem e quatro enxaguadas.

Além disso, elimina por completo a descarga de resíduos de detergente e de microplásticos na água.

O uso de detergente, segundo o estudo, facilita a dispersão dessas partículas nos rios e oceanos; com o revestimento e apenas água, a liberação foi mínima.

Em testes com células de camundongos, o produto não apresentou toxicidade relevante, o que sugere que é seguro para contato com a pele.

Experimentos com plantas também indicaram que os compostos utilizados não causam danos ao meio ambiente.

Imagem compara a remoção de manchas em tecidos com revestimento, limpos apenas com água, e em tecidos sem tratamento, lavados com ou sem detergente. — Foto: Chongling Cheng e Dayang Wang.

Aliado a isso, o revestimento se mostrou durável: manteve o desempenho após exposição à luz solar, ao uso repetido e a mais de 100 ciclos de lavagem — equivalente à vida útil média de uma camiseta.

Por outro lado, do ponto de vista econômico, o custo inicial de aplicação é mais alto do que o do detergente comum.

Os pesquisadores estimam, porém, que esse valor se equilibra entre 15 e 50 lavagens, dependendo do tipo de produto substituído. A longo prazo, a economia com água e eletricidade amplia a vantagem financeira.

Fora isso, uma outra limitação apontada no estudo é que o revestimento provavelmente precisaria ser aplicado durante a fabricação das peças, e não pelo consumidor final.

Dessa forma, a escala industrial e a viabilidade comercial ainda precisam ser testadas. Os autores indicam essas etapas como os próximos passos da pesquisa, ao lado de possíveis aplicações em tecidos médicos para reduzir infecções hospitalares.

Teste com calça mostra efeito contra mofo: lado com revestimento (à esquerda) permanece limpo após uso e exposição a ambiente quente e úmido, enquanto o lado sem tratamento apresenta crescimento de fungos. — Foto: Chongling Cheng e Dayang Wang

0 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do site. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

 
Sitevip Internet