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Pesquisa revela que maioria dos brasileiros usa IA para fazer currículo

Recrutadores alertam para os perigosos da padronização dos currículos

20/05/2026 | 08:57

G1

Pesquisa revela que maioria dos brasileiros usa IA para fazer currículo

Pesquisa revela que maioria dos brasileiros usa IA para fazer currículo

Foto: Reprodução

Uma pesquisa mostra que a maioria dos brasileiros que procura emprego já usa inteligência artificial para melhorar o currículo. A tecnologia pode ajudar a adaptar o documento aos processos seletivos, mas especialistas alertam para os perigosos da padronização dos currículos.

Depois de passar 17 anos na mesma empresa, a gerente de contas Camila Vogel voltou ao mercado de trabalho e percebeu que precisava atualizar o currículo para se adequar às novas etapas de seleção, muitas delas feitas com auxílio de inteligência artificial. Para isso, ela também decidiu usar a ferramenta.

“Eu precisei entender quais padrões estavam sendo usados hoje no mercado. Usei a inteligência artificial para identificar palavras-chave, nomenclaturas de vagas que tinham relação com o meu perfil”, conta.

Um estudo realizado por uma consultoria de recursos humanos com 60 mil profissionais em 36 países, incluindo o Brasil, aponta que mais da metade dos candidatos brasileiros utiliza inteligência artificial para adaptar currículos e aumentar as chances de passar pelos filtros automáticos das empresas.

Mas a pesquisa também mostra um efeito colateral: a padronização dos perfis. Segundo recrutadores, muitos currículos acabam ficando semelhantes, o que pode prejudicar justamente quem tenta se destacar.

“Cada vez mais os currículos ficam parecidos. Isso cria uma dificuldade para o candidato se diferenciar e também para os recrutadores identificarem quem realmente tem um perfil mais aderente à vaga”, explica Lucas Toledo, diretor executivo do Michael Page Brasil.

A organização sem fins lucrativos liderada por Alessandro atua na inserção de jovens no mercado de trabalho. Segundo ele, a inteligência artificial deve ser usada como apoio, mas não pode substituir as experiências pessoais e características individuais do candidato.

“É buscar um equilíbrio, então ela pode com certeza usar a inteligência artificial, mas depois de pronto o currículo, ela tem que complementar com as coisas dela e talvez deixar as palavras-chave, mas colocar pontos importantes da sua jornada que a inteligência suprimiu. Eu entendo que tudo que você faz com a inteligência artificial, principalmente o seu currículo, depois você tem que completar com o humano para ficar diferente dos outros”, afirma Alessandro Saade, superintendente executivo do Espro.

Especialistas recomendam que os candidatos revisem os textos gerados pelas ferramentas antes de enviar o currículo e evitem copiar modelos prontos sem adaptações.

A pesquisa também aponta que o uso de inteligência artificial no ambiente profissional é mais comum entre brasileiros do que na média global. No Brasil, 71% dos profissionais afirmam usar a tecnologia no trabalho. No restante do mundo, o índice é de 64%.

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