O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) afirmou, nesta terça-feira (14), que o deputado estadual Lúdio Cabral (PT) pode ter usado recursos oriundos de corrupção do VLT (Veículo Leve sob Trilhos) na campanha à Prefeitura de Cuiabá, nas eleições de 2012.
À época, o petista disputou o Palácio Alencastro contra Mauro Mendes e perdeu. Ele tinha apoio do então governador Silval Barbosa, que confessou em delação premiada corrupção no modal.
A declaração de Pivetta ocorreu durante defesa do secretário de Estado de Infraestrutura, Marcelo de Oliveira, que abandonou uma audiência, conduzida por Lúdio, na Assembleia Legislativa na segunda-feira (13) sobre as obras do BRT (ônibus de trânsito rápido).
Durante a reunião, Oliveira disse que tinha muita coisa que queria falar e não podia e que isso iria levá-lo a um infarto.
Em conversa com a imprensa um dia depois, Pivetta disse que o que mais incomodou o secretário foi não poder falar sobre as corrupções envolvendo Silval e aliados.
“O que o Marcelo queria dizer é que teve eleição em 2012 e que o candidato do Silval Barbosa, em 2012 [Lúdio], possivelmente tenha usado recursos também da corrupção do VLT. É isso que o Marcelo queria dizer ontem”, disse.
“Eu estou falando que 2012 teve eleição e foi exatamente no tempo em que o VLT estava sendo assaltado. E naquela eleição, o candidato a prefeito do Cuiabá foi apoiado pelo então governador Silval Barbosa. Procurem tirar as conclusões de vocês”, acrescentou.
Lúdio foi quem convocou Marcelo a dar esclarecimentos na audiência. O petista queria saber sobre a execução das obras, detalhes sobre o planejamento e a previsão de conclusão dos trechos em andamento.
Silval já confessou que se apropriou de até R$ 1 bilhão em dinheiro público e alegou ter devolvido parte da quantia em acordos com a Justiça. Ele afirmou que recebeu R$ 18 milhões em pagamento de propina de empresas do VLT para ser usado para amortizar uma dívida contraída durante sua campanha ao Governo do Estado, em 2010.
O Estado investiu mais de R$ 1 bilhão na construção do VLT, que nunca ficou pronto. Em 2020, o então governador Mauro Mendes (União), decidiu fazer a troca do modal para o BRT (Bus Rapid Transit).
“Todos sabemos que os veículos foram adquiridos antes mesmo de fazer os trilhos, o que é uma inversão completamente estranha. Depois houve delação e confissão de corrupção, de todo tipo de corrupção. Às vezes, a gente tem vontade de falar as coisas e não consegue falar> Foi isso que levou o Marcelo a se ausentar e eu acho que ele deveria ter falado”, encerrou Pivetta.