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Pivetta liga WF a esquema de propina citado em delação por Silval

Condenado por corrupção, ex-governador citou Cinésio Nunes como indicado de Wellington em repasses

19/08/2026 | 07:02

Midia News

Pivetta liga WF a esquema de propina citado em delação por Silval

O governador Otaviano Pivetta e Wellington Fagundes, durante debate nesta terça-feira

Foto: Reprodução

Candidato à reeleição, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) citou a ligação do seu adversário Wellington Fagundes (PL) com o ex-governador Silval Barbosa (2010–2014). Ele relembrou as investigações de corrupção contra Silval - que admitiu diversos crimes - e que o atual chefe de gabinete de Wellington, Cinésio Nunes de Oliveira, foi delatado por esquemas de propina. 

As citações foram feitas nesta terça-feira (18), em debate realizado pela Rádio Centro América. 
 
"O senhor foi parceiro de Silval e seu chefe de gabinete atual, Cinésio, foi delatado pelo Silval por corrupção. O senhor quer voltar à cena do crime?", questionou Pivetta.
 
Silval foi condenado a 20 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2017, em regime diferenciado, e fez acordo para devolver R$ 70 milhões do R$ 1 bilhão que teria desviado. 
 
De acordo com a delação de Silval, o então deputado federal Wellington Fagundes teria lhe procurado e alegou que a Secretaria de Infraestrutura e Transportes pertencia politicamente ao PR, sua então sigla, em razão dos acordos eleitorais.
 
Silval declarou que Wellington pediu a nomeação de Cinésio, que trabalhava no gabinete do parlamentar como responsável para controlar recursos da secretaria de obras rodoviárias.
 
O ex-governador contou que, depois do início das obras do MT Integrado, Wellington teria passado a pressioná-lo para receber vantagens indevidas relacionadas à secretaria.

Segundo a colaboração, Silval conversou com Wellington e ficou acertado que ele permitiria que Cinésio repassasse ao então deputado federal um percentual dos valores pagos pelo Estado a determinadas construtoras. 
 
Na delação, Silval disse que as construtoras do programa MT Integrado pagavam, em geral, propinas equivalentes a 3% a 4% dos valores recebidos.
 
O programa MT Integrado tinha orçamento previsto de aproximadamente R$ 1,5 bilhão, dos quais, segundo Silval, cerca de R$ 700 milhões haviam sido executados até o fim de 2014. 
 
Confronto
 
Em sua resposta no debate, Wellington Fagundes minimizou as críticas e defendeu seu papel como articulador político em Brasília. O senador argumentou que o envio de emendas e verbas orçamentárias faz parte do trabalho parlamentar e não se limitou a um único governo.
 
"Eu conheço o Cinésio, ele não tem nenhum processo, que ele foi julgado e condenado. Quero dizer que não ajudei só o governo Silval, eu ajudei todos os governos", declarou Fagundes.
 
Como trunfo de sua atuação, o candidato do PL destacou a aprovação do Auxílio Financeiro para Fomento das Exportações (FEX). "Ajudei a trazer R$ 3 bilhões ao Governo do Estado e R$ 1 bilhão para os municípios", disse. 
 
Ligação com DNIT
 
Pivetta também criticou a influência política de Fagundes no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) durante as gestões federais de Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer. 
 
Segundo Pivetta, o senador utilizava a indicação de superintendentes em Mato Grosso para intermediar "negócios". O governador não citou um caso específico de suposta corrupção atribuída ao adversário.
 
A acusação do governador resgata os desdobramentos da Operação Monte Carlo, deflagrada pela Polícia Federal em 2012. 
 
A investigação apontou fraudes em licitações do programa estadual "MT Integrado" e o suposto recebimento de R$ 3,5 milhões em propina da Construtora Rio Tocantins. 
 
Na época, Silval Barbosa afirmou em delação ao Ministério Público Estadual (MPE) que Cinésio havia negociado os valores ilícitos.
 
A defesa de Fagundes e de seu aliado, contudo, se apoia em decisões judiciais recentes. A Terceira Câmara de Direito Público e Coletivo do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) absolveu Cinésio das acusações de participação no esquema de propina. 
 
O próprio senador Wellington Fagundes, embora citado no acordo de Silval, nunca respondeu a processos formalizados e não teve nenhuma denúncia provada contra si.

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