O ex-prefeito de Porto Alegre do Norte e candidato a deputado estadual Daniel do Lago (PSDB) afirmou que perdeu o comando municipal do PL como retaliação por ter se recusado a pagar propina a um grupo que teria exigido parte de recursos destinados pelo senador e candidato ao Governo, Wellington Fagundes (PL), para a construção de um cais no município.
Daniel relatou que comandava o PL em Porto Alegre do Norte e preparava a legenda para disputar as eleições municipais quando, segundo ele, integrantes de um grupo ligado à destinação do recurso passaram a exigir propina. O ex-prefeito não revelou nomes nem informou o valor que teria sido cobrado.
“Aquela obra do cais, ela tem uma história não muito boa na parte política para mim. Eu perdi o partido PL por causa daquela obra”, afirmou.
Daniel contou que assumiu a estruturação do PL no município no período em que Jair Bolsonaro se filiou à legenda. Segundo ele, chegou a ir a Brasília para participar da filiação no mesmo dia em que Bolsonaro ingressou no partido e, posteriormente, conseguiu recursos para a obra do cais.
“Eu fui o único prefeito do Brasil que foi a Brasília filiar no mesmo dia, na mesma hora, junto com o Bolsonaro. Me filiei, peguei o partido em Porto Alegre do Norte, o PL, e o Bolsonaro foi eleito e me deu recurso para construir a obra do cais”, relatou.
De acordo com o ex-prefeito, o projeto ainda precisava de mais recursos e ele recorreu a Wellington para conseguir outra parcela destinada à construção. Foi depois disso, conforme Daniel, que teria ocorrido a cobrança.
“Eu pedi um recurso para o Wellington Fagundes, e ele me deu esse recurso para construir uma parte, porque ainda faltou muito. Depois vem a equipe querendo propina, querendo propina. Coisas que a gente não acredita que tenha pessoas envolvidas na política que ainda pensam nisso”, declarou.
Questionado se havia aceitado a suposta exigência, Daniel respondeu: “Não compacto com isso”.
O ex-prefeito relacionou diretamente a recusa à perda do comando municipal do PL. Na época, segundo ele, o partido já estava organizado para a eleição, com grupo de candidatos a vereador e discussões sobre quem disputaria a Prefeitura ou ocuparia a vaga de vice.
“Aí me tomaram o partido em Porto Alegre do Norte. Retaliação, me tomaram o partido. Então, Ary, é um negócio que é inacreditável”, acusou.
Atualmente filiado ao PSDB e candidato a deputado estadual, Daniel afirmou que o episódio também pesou na decisão de disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa. “Coisas assim, desgastante, triste, e isso me motivou a colocar meu nome para deputado estadual. Por quê? Porque isso não pode existir mais na política”, disse.
Daniel não apontou quem teria exigido a suposta propina, tampouco apresentou, durante a entrevista, detalhes sobre o percentual ou valor cobrado. Também não atribuiu diretamente a Wellington a cobrança, mas afirmou que ela teria partido de uma “equipe” após a destinação do recurso.