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"Noitadas no DF", choro e corrupção marcam debate na TV; veja

Candidatos ao Governo subiram o tom e protagonizaram polêmicas no primeira debate eleitoral

02/09/2026 | 06:52

Midia News

Os candidatos Otaviano Pivetta, Wellington, Natasha Slhessarenko, Rafaell Milas, Sargento Laudicério, e Maurício Coelho

Foto: Reprodução

O debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso, realizado nesta terça-feira (1º) pela TV Vila Real, afiliada da RecordTV, foi marcado por uma sucessão de ataques pessoais, cobranças sobre o passado político e troca de acusações envolvendo corrupção, alianças e trajetória pública.

Os momentos de maior tensão ficaram concentrados nos confrontos de Wellington Fagundes (PL) com Otaviano Pivetta (Republicanos) e Rafaell Milas (Missão), além do embate entre Milas e Natasha Slhessarenko (PSD).
 
Um dos momentos mais duros ocorreu quando Milas questionou Natasha sobre seus aliados políticos, citando o ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PSD), e o ex-deputado estadual ,Gilmar Fabris (PSD).
 
“Seu palanque é pesado com Gilmar Fabris e Emanuel Pinheiro. A senhora confia em Gilmar Fabris e Emanuel Pinheiro?”, provocou.
 
Ao rebater o adversário, Natasha elevou o tom e atacou a legenda de Milas, o Missão, citando o presidenciável, Renan Santos, e o ex-deputado estadual de São Paulo, Arthur do Val, conhecido como “Mamãe Falei”.
 
“Poderia dizer, pelo passado deles, que você é abusador ou que incentiva o estupro, mas jamais faria uma pergunta dessas, porque você tem seu CPF”, afirmou.
 
As polêmicas de Arthur do Val e Renan Santos, líderes do MBL, envolvem áudios e declarações machistas. Arthur perdeu os direitos políticos após o vazamento de áudios em que afirmava que as refugiadas ucranianas eram "fáceis porque são pobres". Renan foi criticado por um vídeo antigo em que fazia uma fala de teor violento, mencionando que uma mulher seria estuprada caso seu grupo fosse barrado em um estabelecimento.
 
“Melancia” e o passado de Wellington
 
Outro confronto de destaque envolveu Milas e Wellington. O candidato do Missão questionou o senador sobre operações policiais que já citaram seu nome, entre elas Sanguessuga e Ararath, e o escândalo da Máfia das Ambulâncias. O parlamentar respondeu que nunca foi condenado e acusou Milas de ser “candidato de aluguel”.
 
Ao rebater, Milas ironizou o adversário ao chamá-lo de “melancia”. O termo “melancia” vem sendo usado por adversários de Wellington para questionar sua identificação com o bolsonarismo e ligá-lo à esquerda.
 
Na sequência do confronto, Wellington rebateu as acusações de Milas e afirmou que já havia ajudado profissionalmente familiares do adversário. “Ele me chamou de querido, sabe por quê? Porque dei oportunidade ao irmão e à esposa dele durante muitos anos”.
 
O senador acrescentou que o irmão de Milas atualmente ocupa um cargo na Prefeitura de Cuiabá. “E acho que nada mais importante que gratidão”, completou.

Pivetta e Wellington trocam ataques
 
Pivetta e Wellington também protagonizaram os maiores embates do debate. Wellington questionou declarações atribuídas ao governador sobre servidores públicos e citou falas relacionadas ao Samu e à suposta falta de “talento” no funcionalismo estadual.
 
Pivetta afirmou respeitar os servidores e destacou os anos de convivência com a categoria durante sua passagem pelo Governo. Wellington, porém, levou a discussão para a política salarial e criticou investimentos do Estado enquanto, segundo ele, faltariam recursos para o pagamento da RGA (Revisão Geral Anual).
 
Na resposta, Pivetta deslocou o confronto para a trajetória de Wellington em Brasília, lembrando elos do candidato com presidentes petistas e afirmou:
 
“[Jair] Bolsonaro fez um favor expulsando o senhor do DNIT [Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes]. Agora o senhor vem falar para mim de moralidade?”
 
Em outro momento, Wellington cobrou que Pivetta quebrasse o sigilo bancário para responder acusações feitas durante a pré-campanha. Pivetta disse ter a consciência tranquila e chegou a dizer que Wellington estaria “sugando” o povo há 35 anos, ao criticar sua atuação no Legislativo.
 
“Nunca fiz noitadas em Brasília para fazer lobby, para indicar gente no DNIT, para intermediar negócios”, disse.
 
CooperLucas é citada
 
O caso CooperLucas também foi resgatado por Wellington durante o debate. O escândalo consistiu em fraudes e desvios de grãos ocorridos no início dos anos 2000 na Cooperativa Agropecuária Lucas do Rio Verde (MT), gerando um rombo superior a R$ 200 milhões em estoques públicos da Conab e em financiamentos do Banco do Brasil. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) absolveu parte dos réus do processo, entre eles o atual governador.
 
Ao citar o episódio, o senador afirmou que o adversário teria chorado diante das repercussões do caso e disse que Pivetta chegou a pedir que as manchetes não fossem publicadas.

Natasha questiona fortuna
 
Em outro embate, Natasha questionou Wellington sobre sua inclusão em um capítulo de dez páginas do livro "Os bens que os políticos fazem", do jornalista Chico de Gois, que trata da evolução patrimonial de políticos. Porém, o candidato desconversou
 
“Porque quem trabalha muito, assim como a sua mãe trabalhou, às vezes, somos criticados. O que me traz tranquilidade é que não respondo a nenhum processo durante 34 anos de mandato e nunca fui condenado. Diferente do governo que está aí”, disse o candidato.
 
Laudicério chora ao falar da mãe
 
Em um dos momentos mais incomuns, Sargento Laudicério (Agir) chorou no denate. Questionado por Wellington sobre corrupção e problemas na Saúde, o candidato relatou a história da própria mãe, que, segundo ele, perdeu a visão dos dois olhos após problemas no atendimento médico.
 
Laudicério afirmou que políticos que estão há décadas no poder seriam “coautores” das negligências cometidas pelo Estado. Emocionado, voltou a falar da mãe, que completou 75 anos, e questionou se ela não gostaria de enxergá-lo e acompanhá-lo.
 
Ao final, em meio às lágrimas, endureceu o discurso contra os adversários: “Covardes os senhores. Os senhores são todos covardes”.

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