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Quem é Maira Rocha, médium acusada de fraudar cartas psicografadas

A mulher que atua em Brasília se tornou alvo de denúncias de famílias que a acusam de usar informações disponíveis na internet para produzir cartas psicografadas

10/09/2026 | 07:15

G1

Quem é Maira Rocha, médium acusada de fraudar cartas psicografadas

Foto: Reprodução

Maira Rocha, a advogada e médium que atua em Brasília, se tornou alvo de denúncias de famílias que afirmam ter encontrado informações disponíveis na internet em cartas atribuídas a parentes mortos. Os relatos apontam ainda erros em nomes, datas e relações familiares.

Maira é fundadora da Casa da Caridade Inácio Daniel, instituição espírita que reúne atividades de assistência social e atendimentos espirituais. O próprio site da entidade informa que as chamadas “Cartas Consoladoras” fazem parte dos trabalhos oferecidos pela casa.

A casa atende cerca de 5 mil pessoas por mês e também realiza ações como distribuição de alimentos, roupas e outros itens para pessoas em situação de necessidade. As doações são uma das formas de manutenção da instituição.

Maira também organiza sessões de cartas psicografadas, nas quais mensagens são atribuídas a espíritos de pessoas mortas. De acordo com relatos de famílias ouvidas pela reportagem, algumas informações presentes nessas cartas teriam sido obtidas de redes sociais, reportagens e outras fontes disponíveis na internet.

Médium desde a infância

Em vídeos publicados nas redes sociais, Maira conta que teria percebido manifestações de sua mediunidade ainda na infância, no município de Jati, no Ceará.

Segundo ela, a mãe relata as primeiras experiências quando Maira tinha cerca de quatro anos. A própria médium afirma se lembrar de acontecimentos relacionados ao suposto dom a partir dos sete anos.

Uma prima ouvida pela reportagem, no entanto, afirmou que a família não conhecia essa história durante a infância ou adolescência de Maira.

A médium também atribui ao contato com um espírito a origem do apelido “Lê”. Segundo a versão contada por ela, teria sido um espírito quem a ensinou a ler. A reportagem, porém, ouviu familiares que deram outra explicação: o apelido seria uma referência ao nome Alexandrina.

Casa da Caridade

A Casa da Caridade Inácio Daniel foi criada a partir do trabalho desenvolvido por Maira. De acordo com a própria instituição, o grupo surgiu com o objetivo de reunir voluntários para atividades de caridade e assistência.

A entidade inaugurou uma sede própria em janeiro de 2025, após quase dois anos de trabalhos e mobilização de voluntários.

Além das cartas, a casa promove ações assistenciais. Entre elas estão a distribuição de cestas básicas, kits para crianças, materiais escolares, itens de higiene e enxovais para mães em situação de vulnerabilidade.

As cartas, segundo a instituição, têm o objetivo de levar conforto a pessoas que perderam familiares. Em uma publicação de 2024, a casa descreveu as sessões como momentos destinados a proporcionar “consolo”, “paz” e “esperança” às famílias.

O que dizem as famílias

A desconfiança surgiu, segundo os relatos, quando familiares começaram a comparar o conteúdo das cartas com informações que já estavam disponíveis na internet.

No caso de Henrique, morto aos 18 anos em um acidente de carro, a família afirma que a médium disse que ele era jogador de futebol. Ele havia participado de campeonatos, mas não era jogador profissional. A informação, porém, aparecia em uma reportagem sobre o acidente.

Em outro trecho, a carta afirmava que Henrique estava acompanhado de dois jovens quando morreu. Segundo a família, eles não estavam no carro. A associação teria surgido porque uma fotografia publicada na internet reunia imagens dos três jovens, que haviam morrido em momentos diferentes.

Outra família identificou nomes e datas incorretos em uma carta atribuída a um parente morto. Em um dos casos, a mensagem citava como neta uma mulher que, segundo a família, era sobrinha da cunhada.

'Minha mãe não esqueceria': erros e informações da internet em cartas psicografadas fazem famílias suspeitarem de fraudes — Foto: Reprodução/TV Globo

Denúncias

A reportagem revelou que há registros policiais contra Maira em pelo menos cinco estados, envolvendo acusações como estelionato, calúnia, difamação e ameaça. O Ministério Público também recebeu acusações relacionadas a apropriação indébita, desvio de recursos e suposta rede de influência com servidores públicos.

Maira foi procurada pela reportagem do Fantástico para responder às denúncias de fraude nas cartas psicografadas, mas não aceitou gravar entrevista.

A Casa da Caridade e a médium já negaram acusações anteriores de irregularidades e afirmaram ser alvo de perseguição e intolerância religiosa, segundo reportagem do UOL.

As acusações, portanto, são objeto de denúncias e investigações; não significam, por si só, que as fraudes tenham sido judicialmente comprovadas.

Quem é a médium acusada de fraudar cartas psicografadas com dados coletados na internet — Foto: Reprodução/TV Globo

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